A Sérvia e a Bósnia-Herzegovina recusam extraditar alguns fugitivos de alto perfil procurados por jurisdições vizinhas, citando cidadania, restrições legais e circunstâncias políticas. Os casos reabrem a questão de como pessoas condenadas ou acusadas de crimes graves em todo o Oeste dos Balcãs conseguem evitar julgamento ou detenção prolongada, apesar dos acordos de extradição entre os Estados da região. A reportagem destaca o caso do Montenegro envolvendo Svetozar Marović, ex-presidente da união estatal da Sérvia e do Montenegro. Em 10 de outubro de 2026, a pena imposta no Montenegro por corrupção expirou. Depois de ter sido condenado lá em 2016, ele foi para a Sérvia, onde Belgrado se recusou a extraditá-lo, apesar de um acordo com Podgorica que abrange certas infrações de crime organizado e corrupção. A Sérvia também abriga fugitivos procurados pela Bósnia-Herzegovina por crimes de guerra. Um exemplo de destaque é Novak Đukić, ex-general do Exército da Republika Srpska, que fugiu para a Sérvia em 2014 às vésperas da sua condenação na Bósnia-Herzegovina. O tribunal de Sarajevo o condenou a 20 anos de prisão pelo crime de guerra e pelo assassinato de 71 civis no Tuza Gate. A Sérvia recusa extraditar Đukić porque ele é seu cidadão. Outras pessoas procuradas pela Bósnia-Herzegovina também vivem na Sérvia, incluindo Tomislav Kovač, Mirko Vrućinić e Duško Kornjača. A cobertura também aponta Milan Radoičić, foragido após um ataque armado à polícia do Kosovo em Banjska. O Kosovo emitiu vários mandados contra ele, e os Estados Unidos e a Grã-Bretanha o sancionaram devido a ligações com crime internacional. A reportagem acrescenta que ele apareceu em um comício pré-eleitoral do Partido Progressista Sérvio em 9 de outubro. A Sérvia não reconhece Kosovo e não tem acordo de extradição com Pristina, enquanto a EULEX supervisiona a cooperação e algumas pessoas são julgadas à revelia. A Sérvia também concedeu refúgio e cidadania a alguns estrangeiros procurados noutros locais. O empresário búlgaro Cvetan Vasilev, acusado em 144 casos de desvio de dinheiro, fugiu para a Sérvia em 2014 e recebeu asilo político sete anos depois. O empresário romeno e ex-deputado Sebastian Ghiță também recebeu asilo na Sérvia, e em 2019 a Sérvia concedeu cidadania a Yingluck Shinawatra, condenada na Tailândia a cinco anos de prisão por corrupção. A Bósnia-Herzegovina tem visto padrões semelhantes para pessoas procuradas pela Croácia. Zdravko Mamić, condenado na Croácia em 2018 a seis anos e meio por desviar dinheiro do Dinamo, fugiu para a Bósnia-Herzegovina antes da sentença e obteve cidadania por sua origem. O pedido de extradição da Croácia foi rejeitado. O irmão dele, Zoran Mamić, foi condenado na Croácia a quatro anos e oito meses, evitou cumprir a sua pena na Croácia e trabalha como assessor no Sarajevo Football Club. O status mais recente é que esses fugitivos permanecem na Sérvia ou na Bósnia-Herzegovina, com pedidos de extradição recusados com base na cidadania e em outros obstáculos legais e políticos, inclusive em casos de alto perfil de crimes de guerra e corrupção.